26 de jul. de 2017

A influencia da memória de longo prazo no desempenho escolar: um estudo do Testing Effect

Relato de pesquisa:

O “Testing Effect” refere-se à descoberta de que a memória de longo prazo é aumentada através de estratégias de ensino aprendizagem diferenciadas e propositalmente estruturadas para converter informações da memória de curto prazo em conhecimentos na memória de longo prazo. O Testing Effect tem seus resultados publicados desde 1917 por Gates. Neste trabalho apresentaremos alguns resultados experimentais de uma pesquisa realizada (no Brasil) com dois grupos de alunos do 1º ano do ensino médio em 2017, na disciplina de Física.

A pesquisa foi baseada nos estudos do professor Thomas C. Toppino (PhD) do Department of Psychology Villanova University, Pensilvania – USA.
Numa análise estatística de resultados é possível perceber a diferença quantitativa dos resultados por faixa de rendimento. Sendo que a queda dos resultados classificados como BAIXOS (RUINS) foi de 73%, e os ditos BONS RESULTADOS aumentaram em 233% e os ditos ÓTIMOS aumentaram 100%.



9 de abr. de 2017

UEPS DE FÍSICA: EXPERIMENTOS COM O USO DE APLICATIVOS, TABLETS E SMARTPHONES

O objetivo deste artigo é apresentar uma UEPS- unidade de ensino potencialmente significativa experimental que utiliza tablets e smartphones no estudo de fenômenos ondulatórios, no estudo do som, que foi aplicada a professores de Ciências e Física de escolas públicas durante o III Simpósio de Ensino de Ciências e Matemática da Serra Gaúcha (III SECINSEG), promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática e pelo projeto Engenheiros do Futuro e organizado pelo Centro de Ciências Exatas e Tecnologia da Universidade de Caxias do Sul (UCS) junto com a 4ª Coordenadoria Regional de Educação (4ª CRE/RS). São apresentadas três atividades experimentais, em que foi utilizado o aplicativo para tablets e smartphones com sistema operacional Google Android, ambos gratuitos e de fácil acesso. 

30 de mar. de 2017

Peer Instruction no Brasil


Matéria que participamos divulgada pelo SINEPE do PR sobre a nossa experiência com o Peer Instruction. Um resumo bem pontual do assunto.


20 de mar. de 2017

Para enriquecer a aprendizagem: Peer Instruction

(matéria publicada no site do SINPRO - DF)

    Prof. Eric Mazur, Harvard.

Um dos principais objetivos dos professores sempre foi o progresso de seus alunos, algo que nem sempre é possível por meio das pedagogias tradicionais. Ao notar que a aprendizagem dos estudantes de Física ficava bem aquém do desejado, o professor e pesquisador de Harvard, Eric Mazur, começou a elaborar, em meados dos anos de 1990, o método de educação por pares (peer instruction, em inglês). “A educação por pares engaja os estudantes durante a aula por meio de atividades que requerem que cada um estude os conceitos principais que estão sendo apresentados e depois explique esses conceitos para seus colegas. Em vez da prática comum de fazer questões informais durante uma apresentação, o que tipicamente envolve alguns poucos alunos altamente motivados, o processo mais estruturado de estudos da educação por pares envolve todos os estudantes da turma”, descreve Mazur, em artigo publicado em 2001.

19 de mar. de 2017

COMO LEVAR A APRENDIZAGEM ATIVA PARA A SALA DE AULA?

(texto produzido por solicitação do Sinepe/RS em março/2017)

   Após quase sete anos de pesquisa e prática sobre as estratégias de ensino aprendizagem ditas ativas que fazem sucesso no mundo (tipo o Problem Based Learning, Peer Instruction ou o Just-in-time Teaching), percebi que nenhum dos conjuntos de estratégias se adequava integralmente a realidade de sala de aula aqui no Brasil. Daí, após os testes, comecei a formatar um modelo adaptado à nossa realidade cultural, aproveitando o que funcionou bem em cada uma das estratégias estrangeiras.
      Através de estratégias ativas de ensino é possível romper com a ideia de que as aulas são apenas momentos de transferência de informação do professor para os alunos e na prática melhorar muito os níveis de aprendizagem. Identifiquei um aumento de até 10% na média das notas das turmas nos primeiros testes e em mais de 100% na quantidade de notas altas (próximas do gabarito das provas), além da melhoria nos resultados em indicadores externos (Enem, simulados e vestibulares).
     Dentre inúmeras dicas possíveis destaco algumas, como a de fazer uma introdução ao conteúdo que será estudado e ir passando a palavra aos alunos para que possam ir expressando seus conhecimentos prévios a cerca do tema e em seguida, organizando estes conhecimentos prévios apresento o novo conhecimento, permitindo que os alunos façam associações, questionamentos e propostas sobre o tema. Eles costumam levantar situações muito pertinentes e algumas inclusive erradas que certamente iriam influenciar negativamente no momento da avaliação se persistissem.
     Mediando as discussões entre o velho e o novo conhecimento sempre vou lançando algumas questões, perguntando, me fazendo de bobo, de desentendido pra vê-los construir e reconstruir linhas de pensamento. Quanto mais aprimorado o que eles falam, perguntam ou propõem, ais eles entendem o conteúdo. É a técnica do “como assim?”, “Não entendi”.
      Dependendo do tema costumo solicitar aos alunos que pesquisem o conteúdo em casa para iniciarmos a próxima aula. O resultado quase sempre é surpreendente, eles contribuem tanto que sobra pouco pra eu explicar. Basicamente eu só vou organizando as contribuições deles. É fazer os alunos construírem ativamente a aula que eu iria dar sozinho no modelo tradicional. No inicio alguns se dedicavam a essas pesquisas, mas com a competitividade natural que existe entre eles por falar, por participar da aula, em pouco tempo a maioria se prepara e quer contribuir com alguma coisa, nem precisa dar nota pra isso.
      Em vista das falas e dos questionamentos dos alunos consigo perceber a maioria dos erros de interpretação, de cálculos ou conceituais existentes entre meus alunos e assim fazer a correção a tempo. Caso contrário eu só descobriria na prova que eles não haviam entendido tal coisa.
      Gradativamente fui incorporando estratégias ativas de ensino aprendizagem na minha forma de ensinar e percebendo o salto na qualidade da aprendizagem e das relações com os alunos, pois mais motivados, contentes com suas participações nas aulas e com as notas, tornaram as aulas momentos de maior prazer e realização para todos nós. É comum ouvir alguém dizer ao ouvir o sinal ”mas já”, “nem percebi o tempo passar”, “fica mais um período professor”, entre outras.
      Em congressos e jornadas pedagógicas que participo e falo deste tema é comum me perguntarem se a aprendizagem ativa serve para qualquer disciplina ou apenas para a Física? Acompanho a experiência de professores de todas as disciplinas, da educação infantil ao ensino superior, do ensino público ao privado, que trabalham com sucesso tais estratégias de ensino, pois toda a aprendizagem sempre tem como ponto de partida o que o aluno já sabe.

5 de mar. de 2017

A avaliação diagnóstica como ferramenta de aprendizagem na aprendizagem ativa

(Quase sempre uma ferramenta mal utilizada)

Optar por estratégias de ensino-aprendizagem associadas a chamada aprendizagem ativa é sem dúvida uma excelente opção para melhorar a aprendizagem dos alunos nas aulas, tanto na educação básica como no ensino superior.
Existem diversas propostas de enorme sucesso no mundo inteiro que se propõem a transformar um grupo de alunos passivos no processo educacional em ativos, participantes, questionadores, colaborativos. A exemplo destas podemos citar o PBL - Problem Based Learning (Aprendizagem Baseada em Problemas), o famoso Peer Instruction (Instrução pelos colegas) do professor Eric Mazur de Harvard, Think-Pair Share (Pense-Par-Compartilhe), Cooperative Note-Taking Pairs (Tomando notas cooperativamente em Pares), o Just-in-time Teaching (Ensino na hora certa) do professor Gregor Novak ou o Flipped Classroom (sala de aula invertida).
Após testar todas elas durante seis anos, com mais de três mil estudantes do ensino médio, especificamente em aulas de Física e Matemática, foi possível identificar diversos elementos destas propostas que são totalmente aplicáveis aos estudantes do Brasil, dada a realidade diferenciada em relação aos países de origem das propostas.
No entanto, cabe salientar que aprendizagem ativa não é simplesmente colocar os alunos a desenvolverem atividades em grupo. É fundamental a mediação do professor durante o processo, questionando, estimulando, ouvindo, provocando, guiando seus alunos para que a tão citada aprendizagem significativa aconteça.
Para tanto são necessárias estratégias que ativem os conhecimentos prévios dos alunos e que estes conhecimentos prévios sejam relacionados com os novos conteúdos que esta sendo trabalhado, para então, feitas as relações, aconteça à aprendizagem. É ir do que o aluno já sabe, ao conflito com o novo, à assimilação (incorporação) do novo conhecimento. 
E é justamente neste processo que o professor tem a grande oportunidade de ir conhecendo as concepções dos seus alunos, as dúvidas e dificuldades destes (ir avaliando) e assim antecipadamente ir corrigindo ponto a ponto o que na prática só seria detectado quando em geral já é tarde, ou seja, na avaliação.
Por isso, através da aprendizagem ativa é possível antecipar os problemas que apareceriam no momento da avaliação formal e assim evitar que estes aconteçam. Seguramente os alunos se sairão bem melhor na avaliação e se sentirão mais motivados com o processo de ensino aprendizagem.

Segundo pesquisas científicas realizadas é possível melhorar em até 20% o rendimento dos alunos com a utilização das estratégias ativas de ensino aprendizagem com foco em uma avaliação antecipada da aprendizagem.